Centro Comunitário Jardim Autódromo

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Creche Shangri-la: um paraíso possível

Conhecer o CEI Jardim Shangri-la é um aprendizado! Fomos convidadas para registrar uma manhã no Shangri-la, que construiu uma rotina trabalhada como momentos de aprendizagens, criados com intenção e interação entre a equipe.

O convite partiu da equipe do Instituto Avisa lá e fomos até o extremo sul da cidade de São Paulo para conhecer esta entidade que é uma das ações do Centro Comunitário Jardim Autódromo.

Desde 2012 uma equipe do instituto desenvolve projetos de formação na creche, hoje financiada pelo IMPAES. Segundo Mariana Americano, uma das formadoras, a Arte Contemporânea, com suas propostas que abraçam todos os sentidos e sensações pode se relacionar perfeitamente com a forma com que crianças pequenas aprendem. Fomos conferir essa experiência.

Shangri-la parece nome de paraíso… e é! A creche está estruturada numa chácara, com muito verde, salas com janelas e solários, uma quadra gigante, uma horta e cantinhos especiais: uma casinha no meio de um gramado verdinho, um poço com tampa colorida que vira um banco redondo para a hora do suco, passagens sob as escadas, corrimões, corredores com interferências provocativas e uma equipe comprometida, estudiosa e focada nas crianças.

Shangri-la 2 Fomos recebidas pela diretora Benedita Machado de Mello (Benê) e pela coordenadora Katia Girlene Silva Leite Farias (Kátia) que nos apresentaram os espaços e as salas para suas 120 crianças. Depois percorremos livremente a rotina de uma manhã no Shangri-la.

Uma Rotina estruturante e respeitosa

Na chegada das crianças, o café da manhã e a quadra repleta de cantos e provocações ocupam os pequenos. Alguns grupos esperavam o café nas suas salas desfrutando de uma conversa na roda ou de uma contação de história.

O café da manhã merece destaque. A diretora Benê nos explica que as refeições também contam com a estética caprichada e o aprendizado de reconhecer e cuidar desses momentos. Uma caixinha com jogos americanos plastificados e feitos pelas crianças fica num canto do refeitório para ser usado! Cada lugar tem uma “toalhinha” diferente, sobre ela uma bonita xícara de vidro de café com leite e algumas bolachas. Conversando com a diretora, descobrimos que também os pratos e copos do almoço e do jantar são de vidro. Acontecem acidentes? Raramente! E as crianças conquistam aprendizados que contribuem para a sua autonomia fora da creche também.

A quadra: um lugar de encontros

Aos poucos, as turmas iam se encontrando na quadra. Alternadamente, as professoras planejam e preparam os cantos que mudam diariamente. No dia da visita percebemos um canto tipo tenda, com almofadas e bolsas diversas, um com jogos de montar, outro com animais de plástico, outro para brincadeira de “construtor”, um de escritório e, no centro, um circuito para desafiar o corpo.

Enquanto esperavam a vez do café ou de ir para as salas – que estavam sendo preparadas para as propostas da manhã, por um dos professores – os pequenos brincavam na quadra repleta de escolhas e interações entre as diferentes faixas etárias.

Num dado momento, chegam as bandejas com as canecas e a jarra de suco para as professoras, que reúnem seus pequenos em roda, em cantos desse local inspirador, para desfrutar da bebida.

A organização das salas como inspiração

Ao retornar para as salas, as crianças, conhecedoras da rotina, ansiosamente buscavam as provocações preparadas pelas professoras, com uma organização que falava por si! As crianças encontravam seus próprios modos de interagir e desenvolver a atividade a partir da organização estética e “comunicativa” do espaço e dos materiais dispostos nele. Explicações não eram necessárias. Sutilmente, as professoras exploravam um ou outro material, como quem também está brincando, para sugerir novos modos e desafios. Ao seu tempo, as crianças percebiam, copiavam e ampliavam.

Registramos as propostas de:

- Dança-desenho na sala para um grupo multisseriado (com crianças de 2 e 3 anos) (Rosilene Amorim dos Santos Pereira e Adriana Aparecida Rangel)

- Dança-desenho num solário para a turma de 3/4 anos (Maria Cristiana Leite de Brito Farias e Fernanda Miranda Gomes Muniz)

- Exploração de materiais naturais para os pequenos de 2 anos (Michele Maria Barbosa Alves, Quitéria Maria Farias Siqueira, Aldevânia Germano da Silva)

- Desenho no escuro com lanternas para 3/4 anos (Laudicéia de Barros Ferreira, Antônia Maria de Farias Leite, Edinaldo de Jesus Crispim)

- Apreciação musical, para os bebês de 1 ano – atividade preparada e conduzida pela formadora Mariana. (Aline Pereira Vieira, Juciane Menezes Silva de Oliveira, Karen Mariana Aguiar, Raimunda Pereira Costa Carvalho)

As propostas foram tão intensas que vamos trazê-las em postagens exclusivas para compartilhar todos os detalhes.

Planejamentos semanais para uma rotina que desafia!

Conversando com a Katia e a Benê, descobrimos que as professoras tem acesso a pesquisas numa sala com computador e muitas referências de livros e revistas especializadas. Breves momentos de conversa com a coordenação acontecem com um professor de cada sala na hora do sono. Para reuniões um pouco mais longas, as professoras volantes entram em ação. Os planejamentos semanais são encaminhados todas as sextas-feiras para uma troca com a coordenação. Alguns pilares estruturam a rotina diária das crianças. Em todos os dias devem acontecer momentos de:

Cantos ou ateliês de chegada, com atividades diversas como: Faz de conta, pistas de carrinhos, leitura, artes, marcenaria, beleza. (Chegada e saída);
Rodas de conversa;
Rodas de leitura e ou contação de histórias;
Parque,com saídas para os diversos pátios (manhã e tarde);
Contação de história;
Artes (tinta e/ou desenho);
Proposições da sequência que estão trabalhando – com eixo em diversos campos de experiências;
…e tantas outras proposições que se fizerem necessárias, conforme planejado ou organizado com as crianças no dia

Nas quartas-feiras acontece a brincadeira para todas as crianças juntas. A proposta é planejada alternadamente por uma dupla de professores e a arrumação cabe a um professor de cada sala. Nesses dias, as crianças tem a oportunidade de estar, brincar e conhecer todas as crianças e profissionais da creche.

Um paraíso aberto à comunidade

Todos os anos a comunidade de familiares e do entorno da instituição é convidada para uma mostra de produções artísticas das crianças. Até aí, nada de extraordinário. A exposição do Shangri-la ousa e ultrapassa barreiras com conversas sobre os olhares para a arte e propondo aos visitantes oficinas com experimentações dos processos vividos pelas crianças.

A arrumação dos espaços passa por um olhar de curadoria e é planejada para valorizar a arte. Muitos tecidos são utilizados como recurso estético, para dar destaque às produções, isolar aquilo que não pertence à proposta e favorecer a aprendizagem. Interferências nos ambientes e cartazes com fotos e explicações ampliam as sensações.

Apesar das relações abertas, estabelecidas no dia a dia com as famílias, tivemos a oportunidade de ler uma carta de agradecimento de uma mãe, visitante da exposição, que confessou ter tido a dimensão exata daquilo que é vivido pelo seu filho na creche Shangri-la… e isso a deixou emocionada! A nós também! Essa creche, conveniada da prefeitura de São Paulo, enfrentando todas as dificuldades administrativas e financeiras, apresentou a consistência de um trabalho inspirador, de qualidade, que pensa a criança em sua potencialidade e profunda humanidade.

Missão

“Atender crianças, adolescentes e adultos com ações de educação, cultura e assistência na região Sul de São Paulo, propiciando melhor qualidade de vida e protagonismo social”.


Finalidade Estatutária

A organização tem por finalidade estatutária prover a mais ampla assistência à criança, ao adolescente, ao adulto e ao idoso, sem distinção de raça, cor, nacionalidade, condição social, credo político, filosófico e religioso, desenvolvendo valores cívicos, morais e humanitários. Promover o ser humano em sua totalidade, procurando desenvolver suas potencialidades, contribuindo para a formação do caráter e da personalidade, visando uma educação transformadora, para que a sociedade possa se tornar melhor.


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